Invadindo Temecula - parte 2

Depois de longa pesquisa, decidimos que iríamos de carro. Com Doutor de piloto, prometendo pegar leve. Nossa outra opção seria um tour que nos levaria a 3 ou 4 vinÍcolas e almoçaríamos uns sanduíches. Não era nossa idéia...

Antes de sairmos, reservei pela internet uma mesa no restaurante da vinícola South Coast Winery, que é uma das principais e cuja localização era estratégicamente boa pra nós. A partir dela, poderíamos visitar outras duas vinícolas próximas a pé. A princípio, esse era o plano.

Pegamos o carro e seguimos pela Rancho California Road, bela rodovia que é cercada pelas tais vinícolas de Temecula. Já estávamos passando por algumas, quando resolvemos parar em uma delas, pois o local era muito bonito. Havia um morrinho na parte superior, todo plantado. Havia outra propriedade ao lado, também muito bonita, de outra vinícola. Fomos nas duas.

A Primeira era a Baily. Muito arrumadinha. Como chegamos cedo, por volta das 10:00h, fomos os primeiros clientes do dia. Pedimos duas degustações, já que o Doutor estava de castigo. Os vinhos eram decentes. Mas com acidez um pouco acima do ponto e/ou tânicos demais, sugerindo bom potencial de guarda. Abrimos com um Riesling. Americano faz Riesling meio docinho. Até gostoso, mas não é o que esperamos num Riesling. O melhor vinho da vinícola era o M&M. Corte inusitado e certeiro de Merlot com Malbec. 50-50. Antes de sairmos, conhecemos o simpático enólogo. Contei que nós brasileiros, assim como os americanos, consumimos muito Malbec.

Partimos para a vinícola ao lado, que dava pra ir a pé. Europa Village Winery. Também muito bonita. A área externa tinha um jardim que parecia cenário de um conto de fadas. Os vinhos tinham uma pegada totalmente diferente. Bem mais leves. Se na anterior havia influência da Argentina, nessa, a Espanha e a Itália eram a referência. Tempranillo era o melhor. Bons vinhos. Mais elegantes e prontos pra consumo.

Seguimos pela nossa estrada encantada e paramos na Bellavista. A mais antiga da região de Temecula. Fomos atendidos por uma senhora húngara muito simpática. O salão de degustação era enorme. Pegamos duas degustas de 10 Obamas cada. Com direito a uns petiscos. Os vinhos foram uma bela surpresa. O mais novo era de 2004. O lance da Bellavista é só oferecer vinhos já com alguma evolução. Todos eram bem bons. E em todos podíamos sentir essa característica. 
No final, veio um "port". Não é a primeira vez que vemos isso na Americolândia. Bem, era doce... Mais melado que um Porto normal. A simpática húngara (infelizmente não anotei seu nome) conversou bastante conosco. Tanto que nos indicou um outro restaurante para o almoço. O Pinnacle, na vinícola Falkner. "O restaurante da South Coast é muito caro e não é tão bom. O Pinnacle ainda tem uma vista incrível".


Ok, partiremos então para a Falkner e daremos um bolo na South Coast na terceira parte da nossa invasão. Não perca!




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Invadindo Temecula - parte 1

Uma feliz coincidência fez com que fosse possível uma nova invasão à uma região vinícola americana em novembro passado. Mais uma vez, eu tinha meu congresso anual na Califórnia nessa época. E o Doutor, tinha um congresso em Dallas. Aproveitamos então para convencer o Polaco a ir conosco, com a prerrogativa de que, após os compromissos profissionais, invadiríamos Temecula.


Essa é uma região vinícola relativamente nova que fica ao sul da califórnia. Longe das famosas, mais ao norte. Pra se ter uma idéia de sua localização, a cidade de Temecula fica, indo para o sul, a uma hora de carro de Anaheim, a cidade onde fica a Disney californiana. A cidade de Temecula possui aproximadamente 100 mil habitantes, uma estrutura para turismo bem razoável. Existe um bom número de hotéis, porém são poucas as opções de tours pelas vinícolas.
 
Eu nunca tinha ouvido falar da região de Temecula. Quem me alertou para sua existência foi o Sr. Woody, que já começava a ouvir coisas boas a respeito do local. O Sr. Andy mesmo ja esteve por lá num curtíssimo período.
Comecei a pesquisar então sobre a região, que produz de tudo! Não tem uma uva ou um estilo em particular que lhe traga algum hype fácil. Reservei um hotel próximo a Old Town Temecula. Um centrinho com arquitetura toda no estilo do velho Oeste. Muito bonitinha a rua principal. Vários estabelecimentos com Wine tastings. O único grande problema da cidade seria, imagino eu, os ataques de zumbis à noite. Pois às 9:00 PM nada mais funcionava em Old Town Temecula.

Às 10:00PM era impossível pegar um restaurante aberto e já seria possível ver os rolos de feno atravessando a rua. Creio que às 11:00PM são iniciados os tais ataques zumbis. Não pagamos pra ver. Doutor não quis se arriscar e ficou no hotel. Eu e Polaco achamos uma lojinha que fazia pizzas na hora e pegamos uma. Chegamos no quarto às 10:15PM com nossa pizza de pepperoni debaixo do braço. Uma boa margem de segurança...

 
Na segunda parte, começaremos os trabalhos propriamente ditos. Visitando as vinícolas da região.

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Brasil na Taça: O Pinot Noir da Aurora


Neste segundo post sobre vinhos brasileiros vou falar um pouco do Pinot Noir 2013, da Aurora. A vinícola, aliás, foi a grande surpresa da visita que fiz recentemente à Serra Gaúcha. Antes dessa experiência, por absoluto preconceito, jamais compraria vinhos daquela que assina o Sangue de Boi e o Saint Germain.
Provei oito excelentes rótulos, incluindo espumantes, brancos e tintos. Mas os grandes daquela manhã foram o Chardonnay 2012 e o Pinot Noir 2013, resultado do trabalho que vem sendo desenvolvido em Pinto Bandeira, uma região próxima à Bento Gonçalves na qual a Aurora tem apostado alto e que é uma das quatro Indicações de Procedência (IP) já atribuídas aos vinhos finos brasileiros.
A vantagem de estar no topo da serra (730 metros de altitude) e distante 100 km da costa é que as videiras sofrem a incidência das correntes marítimas durante todo o dia, e isso as deixa livre da umidade e, portanto, de doenças fúngicas. Outro detalhe é que apenas entre 30 e 50 centímetros separam a superfície do solo das rochas basálticas de origem vulcânica que caracterizam o terreno da região, responsáveis pela mineralidade dos vinhos produzidos ali. 
É o que diz o enólogo André Perez Jr, contrariando alguns geólogos que recentemente passaram a defender que o que se percebe como mineralidade num vinho não vem do solo. Comprovado isso, imaginaem se os produtores de Chablis tiverem de mudar seu discurso centenário! 
As grandes variações de temperatura, própria dos climas de altitude, com noites frias e dias quentes, contribuem para a maior concentração de aromas da fruta. Também favorecem uma maturação gradual e lenta, fazendo com que os teores de ácidos e açúcares cheguem altos no momento da colheita, o sonho de todo enólogo. 
As 6500 garrafas de Pinot da safra 2012 acabaram em dois meses e meio. A que provei era uma das 10.000 produzidas em 2013, ainda disponível no mercado por 38 reais. Um sommelier experiente que participava da mesma degustação comparou aquele Aurora a grandes franceses da Borgonha, chamando atenção para o enorme potencial de guarda dele.
Inspirada pelo discurso e pelo preço de 25 reais, coloquei dois Pinot desses na mala. Em casa, o vinho não me provocou a mesma empolgação. Sim, eu acredito que circunstância e estado de espírito possam motivar percepções diferentes do mesmo vinho. E naquele dia, em meio àquele cenário, eu tava tão feliz! Dos três meses de carvalho o vinho herdou aromas defumados, de chocolate e especiarias. As frutas vermelhas estavam lá, no nariz e na boca. Mas me pareceram maduras demais. Ele já não era tão elegante quanto da primeira vez. No tripé que dita o equilíbrio, os taninos saíram na frente da acidez e do álcool (12,5%). Será que melhoraria se eu o tivesse decantado? 

Enfim, tem outro ali na masmorra, como diz o BK. O tempo me dirá e eu vos direi. 


Roberta Pakas 

Brasil na Taça: A Ancellotta do novo mundo


Demorou, mas saiu o post que há meses venho ensaiando escrever. Vamos ver se consigo postar com a mesma regularidade com que bebo. Para quem não me conhece, sou amiga do BK e do Samurai, jornalista, enófila e, justo por isso, sommelière, recém-diplomada.
Vou usar esse espaço já consagrado para falar, principalmente, das boas experiências que venho tendo com vinhos brasileiros. Neste blog pelo qual desfilam tantos rótulos bacanas eu acho que os brasucas não vão passar vergonha. Mas não me calarei, claro, diante dos gringos com os quais aprendi a gostar de vinho.
Diferentemente do que acontece, por exemplo, no Chile, a maioria dos vinhos brasileiros de qualidade não é produzida em escala industrial, daí, mas não só,  os preços que nos fazem titubear entre investir num nacional ou num importado. Seja por falta de referência ou reputação, quem arriscaria 35 reais num Chardonnay da Aurora, a mesma do Sangue de Boi, se ele dividisse prateleira com qualquer exemplar chileno de mesmo preço?
Apesar do evidente preconceito, percebo cada vez mais gente disposta a experimentar o vinho brasileiro motivada, entre outras razões, pelos elogios que vêm de fora, em especial dirigidos aos espumantes.
Vinho nacional nunca foi assunto lá em casa, sequer para ser achincalhado. É como se ele não existisse. Confesso que o "clique" foi dado durante uma viagem que fiz à Serra Gaúcha, onde visitei umas dez vinícolas. Empolgada, trouxe na mala, do "Brasil para o Brasil", 20 garrafas, entre as quais a de um Don Laurindo Ancellotta Reserva 2009. O General também pode falar sobre ele.
Dono e enólogo da vinícola, Ademir Brandelli é daqueles caras que, de tão confiantes no que fazem, carregam um certo ar arrogante. Ele recebeu a mim e a amigos na propriedade da família, que contempla residência, vinhedos e vinícola. Depois de cruzar a área que abriga os tonéis de aço inox, os barris de carvalho e a fria adega de pedra subterrânea, chegamos à lojinha onde degustaríamos seus vinhos. Eu consegui o feito de levar uma câmera sem cartão de memória dentro, logo, não tenho uma foto sequer.
Brandelli se gaba dos 15 hectares de vinhedos próprios e da relação íntima que tem com seu terroir. Contou cheio de orgulho que a colheita de todas as uvas é manual, seletiva e que 30 minutos depois de retiradas do pé elas já estão a caminho da "cantina", para que não que fermentem antes da hora ou sejam contaminadas. Ele também exibe como trunfo o fato de não fazer nenhum tipo de correção de álcool ou acidez em seus vinhos, prática permitida pela legislação brasileira. Por fim, não parece se importar em fazer vinhos para agradar o freguês. Está certo de que o que faz é muito bom, e que entende de vinho aquele que gosta do que ele faz. Simples assim.
Na vinícola, a terceira do dia, provamos cerca de 10 rótulos. Aliás, nessa viagem estabeleci fortes laços com aquele objeto estranho chamado cuspideira. A degustação custará 15 reais ao visitante que não levar nada. Eu trouxe duas garrafas, uma delas da uva Ancellotta, uma cepa italiana usada principalmente em lambruscos e que tem se adaptado muito bem à Serra Gaúcha.

Bom, vamos à garrafa de número 167 das 3000 produzidas. Deixei o Reserva 2009 decantando por 20 minutos, também para que os aromas se abrissem, mas principalmente pelo fato de o vinho não ter sido filtrado. Nenhum Don Laurindo é. Será que isso tem alguma relação com aquele super rubi brilhante que só o 3D conseguiria pintar? E o que era aquela geleia de frutas vermelhas maduras em estado líquido! O contra rótulo diz que esse Ancellotta é "de guarda". Um site especializado em vinhos brasileiros sugere consumi-lo em 5 anos. Voilà! Por isso os taninos e a acidez estavam mais bem casados do que jorge Amado e Zélia Gattai. Um vinho de corpo médio que coube direitinho nos 12% de álcool que tem, contrariando a ideia de que quanto mais etanol melhor. E o tempo em taça fez muito bem a ele, que ganhou umas notinhas de menta e uns aromas meio rústicos que me lembraram vinhos italianos mais evoluídos.


A conclusão é de que o vinho é bem bacana, apesar de 46 reais não ser o preço que eu gostaria de pagar.  Isso tira dele a chance de ocupar minha adeguinha como opções para o dia a dia. De qualquer forma, valeu cada centavo a experiência de provar um vinho artesanal e quase único no mundo, considerando o fato de ele ser 100% Ancellotta. Nem na Itália, seu berço, a uva é tão bem tratada quanto aqui, sendo usada apenas como coadjuvante em vinhos de corte.


Roberta Pakas

Um Amarone e seu Ripasso


Antes de ir pra América, uma das tarefas que me foram incumbidas era a de trazer um bom Amarone, até 60 Dólares, para um racha com os enojudeus personagens deste blog. Jujuba e Bin Laden. 

Portanto, em Las Vegas, fui às compras numa Total Wine. Outra grande cadeia de bebidas norte americana. Ficava bem longe da muvuca da Strip Boulevard. Andamos um bocado mesmo. Mas valeu a pena. É praticamente um supermercado de bebidas. Vinhos, em sua grande maioria.
Fui então nos italianos e, dentre muitas maravilhas, achei algo que seria perfeito para cumprir minha tarefa em grande estilo. O Amarone Capitel de la Crossara da safra 2005,. Como seu ótimo Ripasso é figurinha facil na Cadeg e em outros mercados no Rio, faríamos uma degustação inédita na nossa confraria.
 
Pois bem, o Ripasso de 2010 eu já tinha em minha adega. Mas sei que está por volta de 50 Pratas na Cadeg. O Amarone, nunca vi no Rio, mas em Vegas, custava 55 Obamas. Os judeus se encarregaram das comilanças e capricharam. Abriram a mão e compraram vários queijos de primeira.  Uma beleza!
Os vinhos foram cada um para um decanter. Respiraram e resfriaram por uns 30 minutos apenas. A dupla gosta de perceber toda a evolução do Amarone na taça.

O Ripasso entrou em ação primeiro. E que belo vinho! Custo/benefício digno de achado sulamericano. Notas tostadas abaunilhadas na boca, tabaco elegante no nariz. Redondinho e pronto desde o primeiro gole.
Fomos no Amarone e era outro vinho. A linda cor purpura fechada no centro com aquele suave avermelhado nas bordas indicava o bom momento que vivia esse 2005. O bicho é um torpedo de 16% de álcool, que só se fez sentir nos primeiros minutos no nariz, junto com um leve floral que surgia no meio daquela turbulência de aromas.

Na taça era bem choroso. Na boca tinha aquela boa harmonia entre as frutas vermelhas e a madeira. Potente, mas não muito acima do Ripasso. Esse estava realmente pronto. Praticamente reto, sem grandes evoluções na taça. A madeira até mais presente que no seu irmão mais velho. O Amarone se mexia até o ultimo momento. Muito bom.

Valeu muito a pena a brincadeira. Espero que consiga repeti-la com outro produtor. Deu vontade!


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Festa de Família


Motivos não faltavam. Pra começar, há poucos dias foram completados 41 anos deste enoescriba. E pra continuar, Doutor e Polaco tinham acabado de voltar de Mendoza. 
Parti com as princesas pra casa do Polaco com uma garrafa pra abrir os trabalhos em grande estilo. Mas grande estilo meeesmo! Champagne Monopole Brut Blue Top da Heidsieck. Afinal, eu sabia que beberia muito bem por lá e, além disso, não voltaria pra casa de mãos abanando.
E esse champagne é bem bala! Essa garrafa veio de um "arranjado" que ocorreu por conta do casamento de Miss Bella. Aproveitei a negociata do sogro da noiva, que ofereceu esse champagne no casamento, e compramos algumas pro QG. Perlage finíssima e sem miséria nenhuma, além de cremoso toda vida. Esse aí é pura alegria. Clássico!

Partimos então para uma supernovidade trazida por nossa dupla diretamente do enoparaíso dos hermanos: Catena Red Blend Nicasia vineyards 2011. Um Cabernet franc (90%), arredondado com merlot (7%) e petit verdot (3%). Foi pro decanter. O aroma impressionava conforme eu despejava o líquido, até delicado pros padrões hermanos, nas paredes da jarra. Coisa de top esse nariz. Uma fruta classuda, imponente e elegante ao mesmo tempo. Amora, framboesa, ameixa, violeta? Sei lá... Por aí. Corpo mediano, saboroso e singular. Parece um elo perdido entre o novo e o velho mundo. Seria essa a intenção do enólogo?
O vinhedo Nicasia é famoso pelo seu D.V. Malbec. Bicho papão de notas altas, bem caro e já degustado aqui. Esse Red Blend parece ser algo destinado ao mercado argentino. Dificilmente chegará por aqui pela Mistral, importadora oficial dos Catenas. Uma pena...
 

Polaco, que anda mesmo impressionado é com os uruguaios ultimamente, saca da adega esse Dom Pascual Roble Merlot 2007. Já estava por lá há um bom tempo. Cor atijolada nas bordas demonstrando uma evolução. Esse era o clichê que estávamos torcendo pra que fosse verdade. Doutor não tava levando fé... Mas o merlot uruguaio tava bem redondo! E foi melhorando ainda mais nas taças. Uma bela surpresa que corrobora com aquela idéia de que o vinho uruguaio é bom de guarda. Mesmo um Merlot. Chegou junto do argentino. Muito bom!

Agora estamos armados com boa munição sul-americana. Espero que virem posts em breve. Vamos ver se o Doutor se anima e relata essa viagem aqui.

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Churrasco americano



Ainda na Americolândia, Sr. Woodie nos convida para um barbecue em sua casa, em Rancho Sta. Margarita. Cidade bem pequena, mais ao sul da Califórnia. Eu e Sr. Zoo, fomos então à Bevmo, uma cadeia de loja de bebidas bem grande na região, para adquirirmos umas garrafas para a ocasião.

Chegando na loja, vimos de cara que havia uma promoção para alguns rótulos, onde você comprava uma garrafa e, se levasse a segunda, ela sairia por 5 centavos de Obama. Ou seja, era nosso clássico "pague 1, leve 2". Mas na prateleira principal da promoção, nada empolgava. Demos uma volta pela grande loja então. Chegando na prateleira dos italianos, vi um Tignanello por 80 Obamas. Tentador... Continuei passando o olho e vi esse Amarone Montigoli 2009 por 60 pratas. Como não o conhecia, coloquei-o de volta na prateleira. Foi quando o Sr. Zoo me alertou:"Ei! Esse aí tá na promoção!" Verifiquei a etiqueta vermelha e não tive dúvidas. Chegaríamos no Churrasco americano com uma dupla de Amarones.
 
E chegamos. O Sr. Woody caprichou também. Nada de hamburguer. Destaque para um lombinho bem suculento, coisa rara em churrasco, e um Prime Rib especial. Os Amarones, assim com as carnes, estavam muito macios. Foram decantados por pouco tempo e evaporaram velozmente. Fomos felizes na escolha. Conosco estava também o Sr. Andy, outro expatriado e vizinho do nosso anfitrião. E como havia ainda muita carne e conversa disponível, Sr. Woody sugeriu que fôssemos até um mercado próximo que possuía bons rótulos. E lá fomos nós quatro, atrás de mais garrafas. E que mercado incrível! E que preços! Sr. Zoo cunhou a frase perfeita para nossa resignação: "Ainda bem que a gente não mora aqui, senão seríamos alcoólatras".
 
Bem, encarregado que fui, escolhi um Stag's Leap Cabernet Sauvignon 2010 na prateleira dos yankees. Por 36 Obamas, beber uma garrafa de uma vinícola tão importante na história moderna do vinho, pareceu-me bem "apropriado". E ainda achei um Icewine alemão para a sobremesa.
De volta ao churrasco, o Stags Leap foi pro decanter só pra dar uma respirada rápida, pois as carnes continuavam chegando. O vinho foi então pras taças. Encorpado e redondo. Muito bom. Fico imaginando como seria o vinho que disputou o Julgamento de Paris. Provavelmente já tinha algumas características semelhantes às da garrafa que estávamos bebendo. Sabor e aromas do novo Mundo. Será?
 
Sr. Woody coloca então umas bananas na sua churrasqueira americana. Era a deixa pro nosso IceWine Anselmann Ortega Trockenbeerenauslese 2006 entrar em cena. Na hora da compra reparei apenas que era da vinícola Anselmann, conhecida por aqui. Mas não reparei na medalha de ouro adquirida num concurso brasileiro. Inusitado. Achei esse exemplar inferior aos icewines canadenses que provei anteriormente. Menos tons cítricos e o pêssego dominando totalmente. Mas agradou. Sr. Woody ainda arremata os trabalhos com seu Porto Taylor 10 anos. Um tiro! Bem menos doce que o icewine alemão.

Farra das boas! Uma beleza. Voltamos pra Hermosa Beach já no final da tarde. E com a esperança de repetir enoeventos incríveis como esse muitas outras vezes.

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Invadindo Santa Barbara - Parte 3



Almoçamos no Píer, no restaurante dos caranguejos. Tava bem cheio e tivemos que esperar um pouco, até mesmo pra sentar no balcão. Dali, dava pra vermos todo o sofisticado e cândido processo de confecção de um prato de caranguejos gigantes. Não vou entrar em detalhes. Basta dizer que o cozinheiro é basicamente um serial killer. Peguei um spider crab, muito bem servido pra uma pessoa, por 24 obamas. O famoso King Krab tava saindo, naquele dia, por 35 Obamas.

Já um tanto recuperados, partimos para a Deep Sea, que ficava ali mesmo no Píer. Subimos uma escada e a loja da vinícola, bem arrumadinha, nos trouxe de volta aos trabalhos. Há uma varanda, com vista para a praia e a imensidão do Pacífico. Os vinhos? Bem... Acabei me lembrando do Doutor e do Polaco de novo. Porém, depois da última taça da degustação básica (5 vinhos, 10 obamas), notei que havia uma lista com uma degustação mais cara (20 Obamas) e nela havia um Zinfandel de 50 pratas.
"Podemos provar esse Zinfandel também?", perguntei com minha melhor cara de carvalho disponível. "Claro! Por que nao?". Funcionou! E era um belo vinho, mas no quesito custo/benefício perdia pro Zinfandel da Kunin. Saímos de lá e já começamos a ficar preocupados com o tempo que nos restava.
Chegamos na Pali. Muito recomendada. Super bacaninha o lugar, porém, estava rolando um evento nessa tarde. O rapaz na porta nos informa que é um evento de uma empresa, mas que somos muito bem-vindos se quisermos entrar também!!! E ainda nos sugeriu que aproveitássemos o resto do tempo para irmos nas outras vinícolas, pois já eram quase 5pm e elas fecham às 6pm. Dito e feito.

Chegamos então na Kalyra. Famosa pelo filme Sideways, onipresente no recinto, como não podia deixar de ser. No filme, a personagem Maya trabalhava na Kalyra. Há camisetas à venda e cartazes do cultuado filme nas paredes. Além disso, pranchas de surf penduradas e ambiente bem jovial. Bem Califórnia, diga-se de passagem.
O winemaker parece ser um sujeito aficionado por vinhos portugueses. Seu top de Linha é o Alvarelhao (lá, sem o til). Muito bom. Os outros, eram medianos mesmo. Rolou inclusive um autêntico "vinho do Porto" californiano. E até que o Porto yankee lembrava muito os originais dos gajos.

Dali saímos por uma porta e entramos por outra, em frente, na Giessinger, que divide a casa com a Kalyra. Sem dúvida nenhuma foi a pior de todas. Só entramos porque já estávamos em cima do laço e não daria tempo sequer de atravessar a rua e entrar em alguma outra porta. Tudo era tosco na Giessinger. Os vinhos não eram medianos. Estavam abaixo disso. Segundo a simpática atendente,o vinho mais vendido da vinícola era um rosé, que não estava disponível. Poupe 10 dólares quando for ao Urban Wine Trail e passe direto por essa porta.

Retornamos à Pali. Como já disse, muito bem recomendada. Acho que é uma das favoritas dos locais. A vinícola possui uma grande linha de Pinots. Já estava meio que fim de festa o tal evento. Nem descobrimos qual companhia estava bancando, mas entramos e fomos aos vinhos. O Sr. Zoo gostou das taças. Meio borgonhesas, elegantes mesmo. Começou a namorá-las. Os Pinots da Pile foram os melhores do dia. Realmente bons. O Riviera era muito gostoso. Achei melhor do que o outro disponível, o Huntington, que também era bem bom. No final, Sr, Zoo pagou 10 dólares e levou duas taças.

Enfim, voltamos pro hotel, já meio tortos. Foi intenso o negócio. Havia chegado ao fim nossa visita ao famoso Urban Wine Trail de Santa Barbara. Recomendo o passeio. E espero que as dicas aqui postadas ajudem os enoaventureiros.

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Invadindo Santa Bárbara - Parte 2



Começamos bem cedo, logo depois do café da manhã, nossa peregrinação pelo Urban Wine Trail de Santa Barbara. Colhemos mais algumas dicas na noite anterior com os locais. Nossa idéia era pegar o carro e visitar as mais distantes primeiro. Fomos então até a bacanuda Carr.
A mais elegante e bonita de todas as que visitamos. É uma das poucas que fazem e armazenam o vinho lá mesmo, com as uvas vindo basicamente da região de Santa Ines.
O ambiente na Carr é bem agradável. Mesinhas descoladas, balcão "fancy", garrafas bonitas e um Pinot premiado com boas notas... Mas a realidade é que os vinhos não empolgaram. A degustação básica, sem direito a taça, saia por 10 Obamas. Eram cinco vinhos. Um branco, um rosé e três tintos. Os preços das garrafas variavam de 22 a 50 Obamas. O Pinot custava 50,00 e era corpulento. Coisa de 14,5%. Havia depois um Cabernet Franc que também não emocionou. E antes, um Pinot rosé estranho.
Doutor e Polaco inclusive já haviam nos alertado para isso. Gostaram muito do passeio, da cidade e etc. Mas acharam os vinhos, no geral, caros e medianos. Tive medo de que estivessem 100% certos. 



Mas esperançosos, partimos para a Municipal Winemakers. A mais descolada de todas. Mark, garotão que nos atendia, parecia um surfista (e talvez fosse) viciado em vinhos. Atrás do balcão gavetões de arquivos guardavam vinhos e o que mais fosse necessário para o bom funcionamento do estabelecimento. Entretanto, foi a degustação mais cara que fizemos, 12 dolares sem direito a taça.
Os primeiros vinhos eram fracos ou medianos. Mas eis que aparece o primeiro Zinfandel do dia, pra minha surpresa. Feito na costa sul da Califórnia, no vale de Cucamonga. Como grande fã da casta " americana", já me empolguei. Era bonzinho. Bom mesmo era o último, um Grenache que custava 37 dolares a garrafa. Vamos em frente...



Chegamos então na melhor das vinícolas visitadas. A Kunin. Sarah era a nossa simpática anfitriã. 10 Obamas, 5 vinhos. Ok, vamos lá! A estrela da casa é o Pape Star, primeiro dos tintos servidos. Trata-se de uma imitação de um Chateuneuf du Pape, feito com  46% Grenache, 27% Mourvedre e  27% Syrah. Legalzinho. Mas por 25 Obamas, a gente compra um original superior em muitas lojas na America. O Syrah varietal estava melhor.
Mas a coisa ficou boa mesmo quando pintou um Zinfandel 2008 com módicos 15,7% de álcool! Minha Nossa, deu medo... Medo de ficarmos bêbados bem antes da hora. Eram 11:45AM ainda. O bicho tava bala! Redondasso. Taninos amigos, super frutado. Um caldo. Pra quem não gosta do estilo, um horror. Pra quem gosta, um prazer. Por  25 dólares a garrafa, levamos duas. A amável Sarah ainda nos fez uma grande e incrível gentileza. Abriu uma garrafa do mesmo vinho, da safra 2001. Na garrafa, 14,2%. Outros tempos. E estava ótimo. Na taça, leve acastanhado nas bordas. Na boca, aquela sutil doçura, corpo mais leve e aquela sensação de que o que era músculo se atrofiou. Taninos mansinhos. Mas é no nariz que se tem a grande recompensa quando se abre uma garrafa longeva dessas.
Aromas secundários, além da fruta, que remetem à amêndoas, nozes, especiarias e frutas secas. A garrafa custaria 45 Obamas. Quanto custaria uma garrafa dessas na Dilmolândia? 300 reais talvez... vale ressaltar que a maioria das vinícolas vende seus vinhos somente para os membros assinantes de seus clubes (só nos Estados Unidos, claro) ou então nas próprias vinícolas no Urban Wine Trail.



Saímos da Kunin e fomos então para a Santa Barbara Winery. Lá, encontramos com um casal de americanos que também estava na Kunin. Simpáticos e vianjandões, quando lhes perguntei sobre viajar para o Napa, recomendaram Sonoma, por ter boa estrutura e menos Hype. Perceberam que eu gostava de Zinfandel, pelo visto.
Voltando a vinícola, a Santa Barbara Winery é outra que também faz e amansa parte dos seus vinhos ali mesmo.
Da sala de degustação podíamos ver as barricas e o maquinário. A degustação custava 5 Obamas com direito a uma bela taça. Bebemos um branco de moscatel seco. Eu achei meio esquisito por não ser doce. Entre os tintos o destaque foi para um Sangiovese interessante que estava bem redondinho. Aos sábados a vinícola promove também uma degustação de seus azeites. Fica a dica.



Continuarei no próximo post...




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Invadindo Santa Bárbara - Parte 1



Em junho passado, fui novamente para a Califórnia. Tantas vezes vou e nunca tiro um tempo para as regiões vinícolas. Um absurdo que acaba de ser corrigido em grande estilo. Duas noites em Santa Barbara, na região que ficou consagrada com o filme "Sideways".
Doutor e Polaco já haviam estado por lá em novembro do ano passado. Fizeram tudo direitinho. Um dia em Santa Ines, para visitar os vinhedos, e um dia inteiro para conhecer o famoso "Urban wine trail", da cidade de Sta Barbara. Cheio de dicas boas na bagagem, fui com o Sr. Zoo pra região.

Partindo de Los Angeles de carro, pegamos a famosa "one". Via litorânea magnífica, que já percorri em outras tantas oportunidades. Em duas horinhas, com calma, chega-se a Santa Barbara. Cidade praiana muito simpática e bonita. Píer gigante, com entrada para carros, como em várias cidades da costa californiana. do lado direito da praia fica a Marina, com alguns restaurantes. Fomos jantar na State Street, a mais movimentada da cidade e voltamos cedo para a maratona do dia seguinte. Voltar cedo, alias, é lei na Califórnia. Às 2:00AM fecha tudo.  Meia horinha antes, há o chamado "last call". Último drink para o pessoal da saideira.

No próximo post, cobrirei as primeiras quatro vinícolas, que fizemos na parte da manhã do dia seguinte.

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