Em São Paulo, na Cave Jado


Como todo bom Doutor que se preza, fui à São Paulo com a Patroa (a Mineira) e um casal de amigos (Buda Tricolor e sua esposa) para um congresso de cardiologia. Seguindo a dica do BK72, fomos visitar uma loja chamada Cave Jado, que teria uma degustação gratuita de vinhos franceses da região de Languedoc . Como nós quatros somos apreciadores de vinho resolvemos conferir. Lá chegando, fomos recebidos pelo Olivier, um francês responsável pela loja e que estava fazendo aniversário naquele dia.  Degustamos (ou melhor, tomamos) dois vinhos e depois abrimos mais um por sugestão do Olivier. O primeiro foi o Cuvée Galinière 2009 (R$ 51,00), que havia sido elogiado recentemente na midia especializada. 100% Carignan, muito equilibrado e prontinho pra beber. Eu gosto de vinhos que não exigem nada para serem bebidos, e esse é um deles. Pode bebê-lo sozinho, sem comida, que ele desce macio e sem esforço. Sabor delicado com taninos tranquilos. Para mim, excelente.


O segundo, foi o Une ET Mille nuits 2007 ( R$ 101,00), o preferido do Buda (matou a garrafa toda). Mais forte e encorpado, mais complexo, intenso e persistente. Taninos presentes, mas pacíficos. É um corte de  Syrah, Grenache, Carignan, Mourvèdre, Cinsault. Percebe-se que é um vinho mais elaborado, com um bouquet mais exuberante e um gostinho de madeira tostada. Acho que cairia melhor num almoço com carne, mas desceu bem sozinho. O terceiro foi a sugestão do Olivier, o Chateau Piron 2004 (R$ 61,00), corte de Merlot com Cabernet. Médio corpo, complexo e persistente. Deixou uma boa impressão lá na loja. O problema veio depois. Comprei uma garrafa dele pra tomar com o Polaco e o vinho foi uma decepção. Parecia outro vinho. Pálido, meio aguado e sem graça. Uma pena, não se pode ganhar todas. Mas volto a dizer, o que tomei na loja estava ótimo (a ponto de comprar uma garrafa dele). 
Depois da degustação e das compras dos vinhos que íamos levar, fomos numa churrascaria chamada Vento Haragano para harmonizar, mesmo com um hiato temporal, os vinhos tintos que tínhamos tomado, com carnes suculentas. Excelente pedida. 

Doutor

Sob o sol da Toscana - Final

Hora de partir em direção à Siena, outra belíssima cidade. Antes, fizemos um desvio para passarmos em Monteriggione, uma cidade castelo. Minúscula, medieval e toda murada. Gasta-se menos de 5 minutos a pé para ser atravessada de portal a portal. Linda.! Depois passamos em  San Gimignano. Com 7.000 habitantes, é mais uma cidade medieval encravada no alto de uma colina, cercada totalmente por muros. Esta é a cidade das torres. Hoje só tem 14, mas já teve 72.
Patrimônio mundial da Unesco, turismo intenso, comércio próspero e a Gelateria di Piazza. Sorveteria que ganhou prêmio de melhor do mundo nos últimos 2 anos. Óbvio que experimentamos. Também tem seu vinho próprio que é o Vernaccia di San Gimignano, só  branco. Trouxe duas garrafas, além de tomar uma taça in loco, no museu do vinho. Não podia tomar mais, pois o carro estava sob meus cuidados.
Na chegada em Siena, cidade de 52.000 habitantes, o GPS nos deu um baile, pois insistia que entrássemos no Centro Antigo pela  contra-mão.
Depois de três tentativas frustradas e mais de uma hora perdida, conseguimos nosso objetivo. Fomos conhecer a Catedral, mas infelizmente já  estava fechada. Então fomos jantar na Piazza Del Campo e aí tomamos um Chianti. Que lugar maravilhoso! Na volta para o hotel, sem mapa, nos perdemos. Valeu. Com isso andamos por todo o Centro Antigo, que é muito interessante. A noite fomos na  Enoteca Italiana, com mais de 1.000 rótulos à venda, além de servirem também em taças. Tomamos duas taças de Brunellos diferentes cada um e ainda compramos um outro Brunello, o Camigliano, para trazermos. Em frente havia uma discoteca que estava bombando.
No outro dia de manhã fomos em direção à bela Florença. Coisa de uma hora de viagem. Isso para quem tem pressa. Não era o nosso caso. Portanto, conseguimos fazer o trajeto em  9 hs.   Tínhamos hora para entregar o carro. Eita, carro... Sempre ele. Se não, gastaríamos 12hs, ou mais, quem sabe? Escolhemos a estrada do Chianti. Que maravilha!!!
Paramos em Radda di Chianti e Greve di Chianti, além de alguns desvios e entradas em vilarejos simpáticos e pequeninos. E muitos e muitos vinhedos.
Em Greve, compramos na feira de rua um presunto de Parma, cortado na hora do próprio  pernil do porco (DELICIOSO), um Chianti e fizemos a festa num banco de jardim. Algo como os farofeiros fazem. Tinha mais dois casais fazendo o mesmo.
Lá tem uma Enoteca, a Unione Produtori Vini Del Chianti, que vende vinho em maquina self-service. Mais de 100 rótulos com preços diversos que variavam de quarenta centavos a seis Euros. Tomamos quinze Euros em taças e compramos duas garrafas de Chianti. Imperdível  pra quem passar por essas bandas. Era sábado e estava tendo uma grandiosa feira de flores, muito bonita.
Chegamos em Florença e fomos jantar no La Lampara, mas antes, passamos pelo maravilhoso rio Arno e suas famosas pontes.
Então comemos uma bisteca Fiorentina de 800 gramas para dois. Foi a conta. Tomamos mais um Chianti e para terminar um delicioso Limoncelo. Fomos dormir cedo. No outro dia partiríamos de trem para Milão onde pegaríamos um Avião para a Turquia.

Agradeço ao BK, ao General e ao Leigo pelo incentivo e pela força que me deram para escrever estes 4 post.

0-Berto

o "A" e o "B"



Essa dupla foi derrubada na casa do Polaco, com a ajuda do Doutor e Doutora. Ocorreu num desses frios domingos pelos quais os cariocas estão passando esse ano. Ótimos para uma enofarra.

Começamos com o Zuccardi Serie "A" Malbec 2009, que provavelmente foi adquirido no Free Shop do Rio. Clássico toda vida. Tudo aquilo que se espera de um Malbec hermano na taça. Vivão, corpulento e bem gostoso.
A Família Zuccardi é um dos produtores bambambans da Argentina. E seus vinhos têm um preço bacana. Vale muito a pena adquirir, tanto a série "A" quanto a serie "Q" (essa, de vinhos mais elaborados e caros) quando se passa pelo Free shop voltando de viagem ao exterior. E vez por outra rola uma promoção com um pack de 3 por um preço menor.

O Chateauneuf-Du-Pape "B" Louis Bernard 2005 foi adquirido pelo Polaco há uns anos atrás, diretamente em Paris, e ficou em sua adeguinha principal durante um bom tempo maturando. Nada de assadeira pra esse cara aí. Afinal de contas, era um Chateauneuf. E trazido  carinhosamente numa mala, vestido em meias e misturado com as roupas do Polaco.

Estava ótimo. Praticamente arredondado. Bem queimadão. Madeira bem presente, disputando lado a lado com a fruta o seu espaço tanto no nariz quanto em boca. A cor era um pouco mais fechada que o normal para um vinho do seu tipo. Muito gostoso. Esse aí, leva no corte a Grenache, a Syrah e a Mouvedré.

Mais uma vez, valeu a guarda!

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Septima Gran Reserva 2008

Este post escrevo como parte do intercâmbio inter-blogs Leigo Vinho-Wineleaks.
Estava na dúvida sobre o que degustar, para não fazer feio, uma vez que o post do General me deixou com obrigação de apresentar um vinho de nível.
Então me ocorreu de provar um vinho que parece ser muito apreciado aqui pelas bandas do Wineleaks.
  
E, de fato, a turma parece entender de vinho. O vinho é bão mesmo. Garrafa grandona e imponente, pesada. Rolha enorme, personalizada.
Cor rubi escura, com tendência ao púrpura. Denso na taça.
No nariz o primeiro ataque é frutado. Com aeração, surgem tabaco, tostado e, obviamente, madeira. Mas sem excessos comuns aos hermanos.
Na boca, continua fazendo bonito, bem equilibrado, com taninos potentes, porém classudos. Acidez correta (pouco comum para vinhos mendocinos, que costumam ser pouco ácidos). Álcool presente, mas sem atropelos.
Final longo, delicioso.
O vinho apresenta o que os hermanos tem de melhor e sem exagerar.
Acho que em alguns poucos anos deva atingir seu auge.
Em viagem recente a Mendoza, tivemos oportunidade de passar na porta da Bodega Septima, mas não visitamos. Depois desse vinho já tenho uma boa razão para fazer a visita.
Classificação Leigo Vinho: muito bom.


FICHA
Produtor: Bodega Septima
Tipo: Tinto - Assemblage
Região: Valle de Uco
País: Argentina
Uvas: Malbec(55%), Cabernet Sauvingon(35%) e Tannat(10%).
Graduação Alcoólica: 14.5%
Temperatura de Serviço: 16º-18oC
Envelhecimento: 14 meses em barricas de carvalho francês de 1º, 2º e 3º uso.
Diretrizes Enogastronômicas: Cordeiros assados, queijos maduros, carnes de caça e molhos fortes.
Safra: 2008
Estimativa de Guarda: 10 anos
Avaliações: Wine Spectator - 89

Leigo Vinho

Sob a inveja da Toscana

Dia desses eu estava bebendo (vinho, claro) e comecei a imaginar como teria sido a conversa desses dois amigos de São Lourenço: 
   
-Rapaz, preciso falar contigo. Eu queria saber se você se incomodaria se eu escrevesse sobre minha viagem à Toscana lá no blog daqueles malucos;
-Uai! Mas porque vc não escreve no meu, ou melhor, no nosso Blog? Eu já te pedi um milhão de vezes pra você escrever um post!
-sei lá, uai... Mas, por alguma razão, eu acho que os relatos que vou fazer cabem ali. Claro que não é nada contra você, que é meu grande amigo. Eu nem conheço esses caras, veja só... E então, você se incomoda?
-Claro que não! Seu ingrato! 

Bem, provavelmente não foi assim. E nem das várias outras maneiras que eu, mareado, comecei a especular. O fato é que, lisongeado e agradecido que estava com a série de posts do 0-Berto, resolvi que deveria homenageá-lo, pois ele foi o grande catalizador dessa empatia e do intercâmbio virtual que nasceu entre o Leigo Vinho e o WineLeaks.
Pensando nisso, fui atrás de um Toscano pra comprar, beber e postar. Não poderia ser do nível dos que o 0-Berto provou, devido ao custo Brasil. Mas também não poderia ser um "tosqueira", e sim, um toscano. Afinal, essa homenagem também seria uma forma de aplacar a inveja que seus posts me causaram.
Achei então esse cara aí na Grand Cru. O Rubio 2009. Antes de comprar, uma pesquisa rápida na winemag pra saber se o que eu estava pagando era apenas o absurdo ao qual já estamos acostumados ou se era algo surreal. 16 Obamas lá, 59 Dilmas aqui. Pros padrões da Grand Cru, esses 2x e uns trocados até passam.

Cheguei em casa e comecei o velho ritual. Saca-rolhas, aerador, decanter... Taça grande! Fiz a primeira prova sem demora, só pra matar a enoabstinência. Os aromas não eram explosivos. Faltava um respiro, claro. O álcool disse "Olá" mesmo com o líquido estando ao redor dos 15 graus. Um pequeno problema que, cá entre nós, já não aborrece tanto esse novomundista acostumado com alguns sulamericanos de má formação. Na boca, os taninos rascantes e o álcool sobrando fizeram com que esse primeiro gole, sempre redentor depois de um dia de trabalho, viesse com um aviso: "Aspettare!" Não estávamos prontos.

Depois de muito respirar pra que a calma e o controle invadissem seu corpo, tal como um ser humano que acabou de sair de uma clausura, o vinho caiu em si e mostrou um pouco de equilíbrio, após aquele Kung Fu desordenado. E com ele, veio um pouco mais de prazer. Uma cerejinha chegando com pimenta no nariz. Os taninos já tinham se transformado em leões de chácara educados e gentis. Minha garganta e boca também já estavam entrando em sintonia com o caldo. Ummm... A Toscana descrita pelo 0-Berto, por um instante, num breve arrepio, me disse bem baixinho: "venire, venire!"

  
Wow! Que perigo! Numa dessas a gente acaba indo. E quem sou eu, ainda, pra pensar numa coisa dessas? 


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Sob o sol da Toscana - Terceira parte

Ao chegarmos a Montalcino, a cidade do vinho italiano mais famoso (Brunello) e gostoso (talvez do mundo) , cuja população gira em torno de 5.000 habitantes, fomos em direção ao hotel no centro histórico. Escolhemos o hotel Giglio, bem localizado e com maravilhosa vista panorâmica, segundo propaganda própria. A reserva foi feita com quatro meses de antecedência, e já não havia vagas para o principal. Se quiséssemos, teria que ser no anexo, sem vista pra lugar nenhum. Mas quem vai se importar com isso? Diria a vocês que me importei sim. A vista era deslumbrante! E o café era servido lá. Pelo menos ficou uns 20 euros mais barato. Enfim, o que não poderia faltar era o danado do BRUNELLO. Ah, isso não faltou mesmo. Isso que importa.
Cidade pequena, ruas estreitíssimas, numerações sem lógica. Chegar ao hotel não foi fácil. Tivemos que recorrer à ajuda de uma senhora italiana típica, de seus noventa anos e que encontrava-se aguando suas plantas, para nos ajudar a chegar ao hotel. O GPS, vulgo "tom tom", foi de grande valia na viagem. Mas o que ele endoidava nas cidades medievais não estava escrito. A preciosa senhora quase centenária foi mais útil que o moderno GPS. Numa das estreitas ruelas o carro esbarrou o paralama no muro, coitado. Não foi culpa dele. Ele simplesmente não cabia na ruela. Mas a locadora não quis saber da história e o prejudicado fui eu. Tudo bem. Esse foi o único imprevisto. Ah! Estava me esquecendo... Teve um parafuso enfiado no pneu do pobre do carro. Isso mesmo. Parafuso, nunca tinha visto. Por sorte estávamos a cerca de 50 metros da borracharia. O mais difícil foi a comunicação de minha esposa com o empregado. Ela disse: “tem um PREGO enfiado no pneu”. E ele: “non la capisco”. Ela o levou até onde estávamos o carro, o pneu ,o parafuso e eu . Tudo foi resolvido em 10 minutos. O engraçado é que “prego” é uma das palavras mais usadas na Itália, porém com significado totalmente diferente, ele é usado como “pois não”,“pronto”,”obrigado”,”de nada”,”as ordens” tudo lá é “PREGO”.Como é que poderia estar enfiado no pneu? Não sei...
Vamos aos vinhos. Montalcino tem 218 vinicolas. Olha o grande problema, qual escolher? Bem, vamos deixar este dilema para depois. Agora , em chegando a esta Meca do vinho, o mais importante é apreciá-lo na taça, é obvio. E onde? Claro que é na Fortezza(veja foto). Lá tem uma enoteca com inúmeros rótulos. Alguns servidos em taça. Escolhemos o Brunello Argiano 2006, a 6 euros a taça. ESPETACULAR! Trouxe uma garrafa dessa, além de uma do Castelo Banfi (uma das 10 vinicolas mais visitadas do mundo, comprada na própria), uma da Vellona e outra da Camigliano. Essa última foi comprada na Enoteca Italiana, em Siena. Vale a pena conhecer e comprar.Tomamos ainda o Campone da Frescobaldi e algumas taças avulsas de outros Brunellos. Cada um melhor que o outro.
O que mais me encantou foi um Brunello encontrado em uma Enoteca em Sorrento, cidade próxima a Capri, sul do pais. Era um Silvio Nardi 1997,uma das melhores safras do referido vinho, por apenas 25 euros.
Estavámos em final de viagem e cansados. Os dias eram longos, andávamos muito. Então fizemos um piquenique íntimo no quarto do hotel com o Pecorino, pães e um Rosso de Montalcino: Visconti. Que é como se fosse um Brunelinho. Muito bom também.
O mais decepcionante da viagem foi eu não ter trazido um Sassicaia 2006 ao preço de 108 euros. No Brasil, seu preço gira em torno de 1.200 Dilmas. Que tristeza!

0-Berto

Feriado de trabalhos

Nesse feriado eu estava em São Paulo a trabalho. Doutor também estava por lá com a Doutora num congresso. Com eles estava o Dr. L, cuja esposa, vegetariana, chegaria no dia seguinte. Como esse tipo de situação não costuma acontecer com frequência, resolvemos aproveitar pra finalmente conhecer a tradicional churrascaria Fogo de Chão. Coincidentemente, acabaram de abrir uma filial no Rio, perto da minha casa.
A carta de vinhos do restaurante é bem extensa e variada. Chamou-nos a atenção uma garrafa megamagnum de um Dom Melchor que estava em uma estante adornando a casa.

E pra acompanhar-nos nesse difícil trabalho de aniquilar diversos tipos de cortes suculentos, escolhemos esse Casa Lapostolle Carmenére 2009. Que foi uma boa pedida, pois eu também nunca tinha provado esse vinho e ele escoltou muito bem as deliciosas carnes que chegavam à mesa. Destaques para o Bife Ancho, o Shoulder Steak, uma fraldinha perfeita e as impecáveis costelinhas de cordeiro e as costelas (a premium e a do fogo de chão). Como fomos lá pra comer carne, nem pedimos acompanhamentos (só uma farofa de ovo) e sequer fomos ao buffet. Mas pelo visto, o negócio dos caras é carne mesmo. Se não for o seu, nem vá.
Ah! E aviso logo que a Fogo de Chão não é o que nós chamaríamos aqui de um restaurante de dia a dia. O rodízio atualmente está saindo por 95 Dilmas.

Sorte do pessoal de Beverly Hills, que paga U$34,50 (R$55,00).
 

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Sob o sol da Toscana – Segundo dia


Montepulciano. Banho tomado, vamos em direção ao centro antigo. Cidade medieval toda murada localizada no alto de uma colina. Tem vários edifícios históricos, uma bela vista, cantinas adoráveis com comidas (digo salames, presuntos , etc.) e bebidas, leia-se vinhos, excelentes. Até ai é a descrição talvez de centenas de cidades da Toscana. 
Com aproximadamente 14.000 habitantes, essa já destoa da maioria por não ser tão pequena. Tem uma bela praça com monumentos históricos, igrejas, alguns Pallazos e sempre uma torre para apreciar quase o infinito. Não posso e não vou esquecer os vinhos Nobbiles de Montepulciano que juntamente com os Chiantis e Brunellos são os clássicos da região. 
Trouxe um Poliziano 2007, que segundo descrição da Mistral é o maior nome da cidade. R.Parker deu 90 pontos no 2006. Este ainda não tomei. Trouxe também uma garrafa do Gattavechia, que infelizmente já secou com a ajuda do Leigo. Vejam a descrição no post dele. Além de ter tomado alguns outros Nobbiles,como o Avignonesi, já bem descrito pelo General chinês em um de seus comentários do post anterior. O Cecchi, também um belo vinho, e o Altemura. Esses são os que tenho fotos e me lembro. Confesso que, da tríade clássica da Toscana, os Nobbiles ficariam em 2º lugar, a frente dos Chiantis. Pelo menos por enquanto. Apreciei mais os Brunellos , os quais serão citados ao chegarmos em Montalcino.
Já estou com fome, vamos então ao jantar. Conseguimos entrar de carro no centro velho a noite, encontramos estacionamento fácil. Tem vários ao redor da cidade. Era perto , mas de carro tem-se uma visão geral maior. Depois é só caminhar pelas belas ruelas seculares para apreciar os detalhes. Durante o dia o transito fica fechado para carros. Escolhemos a Tratoria di Cagnano, como poderia ser outra das várias distribuídas pela cidade.

Lá tomamos o Avignonesi com as boas porcarias de entrada , sempre elas,ainda sobrou vinho para o prato principal, um cordeiro delicioso para mim e uma pizza GG para minha companheira, que estraçalhou-a todinha. Pagamos 50 euros por tudo, no Brasil só o vinho na importadora é mais caro, na Mistral esta por 144 Dilmas. O prazer foi acima da expectativa.
Vamos dormir. O Hotel é agradável para nosso interesse de momento. Na faixa de 70 a 80 euros, preço razoável para estas relíquias de cidades. Ao acordarmos fomos a pé conhece -lá durante o dia, linda, já descrita no inicio.
Por volta de meio-dia partimos em direção a tão aguardada Montalcino, só que no caminho encontra-se a bela Pienza. Imperdível. Cidade de 2.000 habitantes, muito aconchegante.

No instante que chegávamos a igreja estava saindo uma linda noiva e entrando em um conversível com placa da Holanda. Talvez por ser maio, o mês das noivas, tenhamos visto vários casamentos em diferentes locais da Itália. Além deste, presenciamos outro em Cortona e mais outro de japoneses em Amalfi, na bela costa Amalfitana, considerada um dos 50 km de estrada costeira mais bonitas do mundo. No ano de 1405 nasceu nesta cidade uma pessoa que 50 anos depois viria a ser o Papa Pio II, que quis levar a residência papal para sua terra natal. Não é preciso dizer que não obteve êxito. Foi lá que apreciamos o queijo pecorino, por sinal muito bom, já citado no post anterior.
Bem, já estamos chegando em Montalcino. Pela estrada vislumbramos as mais belas vistas. 

Preciso de fôlego para continuar no próximo post. Então, até lá!

0-Berto

A Austrália invade a China: Penfold's chegando!


Fim de semana, dia de sair com a patroa e a sogra. E sair com elas invariavelmente é visitar os mais genuínos e populosos mercados que existem. Roupas, bugigangas, temperos, nada é desinteressante demais pra elas. Tirando, é claro, os eletrônicos.
Íamos a Wangfujing, lugar marcado pelas recentes ameaças de manifestações contra o governo, no embalo da Revolução do Jasmim. Essas manifestações, que nem chegaram a ocorrer, aguçaram os taninos entre China e EUA, quando o embaixador gringo foi fotografado no meio de um grupo que fazia barulho nessa mesma área. Daí pra frente, bastou a polícia chinesa ameaçar descer as notas de carvalho pras manifestações terem um final curto.

Qual não foi minha surpresa ao ver, saindo do metrô pelo Oriental Plaza - um grande shopping da região - um stand da australiana Penfold's! Imediatamente, liberei as duas de ter que aguentar minha expressão de euforia ao comparar preços de molhos e admirar vitrines de sapatos femininos e já assumi um posto de trabalho.
O stand não era uma loja, era só um merchandzinho de 4 dias. Mas estava tão bem montada, tão caprichadinha, que bem poderia ser um lugar onde se degusta e leva o vinho na hora. Pra conhecer, nada melhor. A Penfold's é um enorme produtor da Austrália. Chegar na China é prova disso. E um dos mais antigos. Como não tem porta de adega em Hunter, fiquei devendo essa.

Então, era hora de matar as saudades: só sentar e beber. O material de divulgação estava apenas em mandarim. Logo na segunda prova, emendei uma conversa animada com o meu vizinho. Um chinês que só não era mais típico por estar bebendo vinho. Ele me explicou muito sobre os hábitos de vinho na China. Infelizmente, ao falarmos sobre a produção local, ele acabou elogiando o Great Wall 3 estrelas. Sequei a boca, levantei-me e disse que esqueci algo no forno.
Dias depois, num restaurante local de periferia, deparei-me com uma estante com uns poucos vinhos. Ao lado dum australiano irrelevante, um chinês no mínimo curioso: o "Fazenda Nobility"!
Escrito assim mesmo, mistura de português com inglês. Detalhe que o rótulo da safra 2006 mostra: "The wine was made of best graoes in Yantai and with internal advanced". Na safra de 2007, a correção: "...internal advanced technics". Quem se arrisca?
No mais, uma coisa é certa: o vinho aqui está avançando. E com força e velocidade muito maiores que em Pindorama - o que, como sabemos, não é nenhuma surpresa.
Ano passado a China exportou café moído e torrado pro Brasil. Isso mesmo. Foi bem pouco, mas aparentemente, torrar e moer um grão depende de uma tecnologia avançadíssima que o Brasil não possui. Vendemos o grão a preço de nada e importamos o produto beneficiado. Compramos café da Suíça, Líbano e China. Tem algum sentido? Só se a desindustrialização der lucro a alguém...

 
Enquanto isso, ficamos cada vez mais longe de Chandon e mais perto de Shandong.

General