Sob o Sol da Toscana...

Este post foi um pedido do BK, para que falasse sobre minhas aventuras em enotrips. Com a anuência de meu amigo de confraria Leigo Vinho, aceitei. Se for aprovado posso relatar outras viagens. 

Toscana ... que maravilha! Já tinha estado nessa região há seis anos. Na verdade essa foi uma viagem diferente. Daquela vez, fomos minha esposa, meu enteado e eu. Como era a primeira vez de Itália para todos nós o roteiro foi o convencional: de carro, para Milão, Veneza, Pisa, Florença e Roma. Isso após 10 dias na França. Gostamos muito. Vinho? Na época só tomávamos o básico, ou seja , “ vinho da casa “ (que pena!!! Não que fosse ruim, mas não se pode comparar com os Brunellos, Nobiles de Montepulciano, Supertoscanos e outros). Isso na Europa, porque aqui tomávamos essas drogas de reservados chilenos, argentinos baratos e os fracos nacionais de então. Gosto demais dos argentinos e chilenos, mas não esses.

Fiquei extasiado com o interior da região, as pequenas cidades, as incontáveis fileiras de ciprestes, as paisagens com suas belíssimas colinas. Essas são de perder o fôlego, como podem ver em algumas fotos. Apenas senti que faltou alguma coisa... Queria voltar, conhecer mais e melhor estas cidades medievais. Jantar, dormir, participar, admirar... enfim frequentar. E há menos de um ano, quando comecei a me apaixonar pelos vinhos, comecei também a pensar em voltar e visitar algumas das maravilhosas vinícolas da região.
Bem, dessa vez tínhamos 26 dias de Europa. Ao nosso trio de seis anos atrás, juntou-se a namorada de meu enteado que mora no Brasil. Seus pais moram em Treviso e o pai dela é italiano da região de Veneto (olha o Amarone aí, e o Prosseco Valdobiadene também!). Em outro post podemos falar sobre esta região.
Programamos apenas 4 dias para a deliciosa Toscana. Éramos apenas minha companheira, eu e um Fiat Punto. Confesso a vocês que foi pouco, apesar de muito bem aproveitados.
1°dia - Ás 7:00h da manhã saímos de Roma de trem. Às 9:00h desembarcamos em Foligno (Umbria). Pegamos o Fiat na própria estação, já estava reservado, e seguimos para nosso destino, cidade de São Francisco, lindas, tanto a cidade quanto a Igreja. Dali fomos em direção a Cortona (do filme Sob o Sol da Toscana), às 15:00h chegamos. Aí demos conta que nada tínhamos comido até aquele momento, apenas um suco de laranja em Roma.
Que maravilha... Taverna Pane e Vino. Linda e gostosa, um delicioso vinho (ainda não estávamos na Toscana, mas quase) e quanta PORCA RIA (este era o nome que dávamos aos maravilhosos presuntos e salames de porco que estávamos devorando, daí vem a porcaria), queijos - e que queijos! Gostei muito do Pecorino,feito com leite de cabra - e pães com azeite.
Ufa... Matada a fome, partimos para Arezzo (filme La Vita è Bella). A cidade tem uma praça muito simpática, diria até mesmo gostosa, mas não se pode comparar com a mais linda de todas: SIENA, esta sim, é indescritível.
Seguimos para Montepulciano onde chegamos às 20h. Juntamente com Montalcino, San Giminiano, Siena... outra... e outra, foram as que mais gostei. Difícil escolher !

Este post esta muito longo, portanto terei que fazer uma pausa para um segundo, terceiro ou quantos outros me deixarem fazer. Pelo visto, fiquei devendo o post da Toscana, que será o próximo. Este só foi o intróito. E os vinhos? Acalmem–se. Ainda estamos no primeiro dia, viajamos o dia inteiro e terminei meu relato quando chegamos a bela e maravilhosa Montepulciano às 20 h.
Agora vamos tomar banho e sair para jantar. Vou só adiantar a foto da primeira garrafa que esvaziamos na Toscana.



Recruta 0-Berto

Invadindo a Austrália - Parte 9: A gigante Wyndham Estate

Engraçado como o mundo dá voltas. Lembro de quando bebi o Bin 888 da Wyndham Estate, comprado no free shop da China, e escrevi o artigo para este blog. Ainda não estava nos planos uma viagem para a Austrália. Estava há muito tempo atrás dum vinho justo pro dia a dia. Não achei nele, mas cheguei a me perguntar como seria encontrar seus irmãos mais ricos. E imaginava como seria o nobilíssimo Black Cluster, o top da vinícola.
Com as expectativas lá em cima, acordamos e fomos pra Wyndham Estate logo de manhã. O caminho, de tão agradável, convida a algumas paradas, para respirar o fresco ar matinal da roça, com cheiro de ervas, eucalipto, toques de estrume bovino e quantidades tão abruptas de oxigênio que me lembraram a curiosa história dum amigo chinês. Casado com uma brasileira, assim que chegou à Florianópolis, de férias, teve taquicardia e passou mal. Felizmente, não era nada grave. Ele, nascido e criado em Pequim, sofria de hiperventilação!
Ao caminhar ao lado das videiras que margeiam a estrada, senti a euforia provocada por todo aquele oxigênio, que só aumentava a vontade de chegar logo ao nosso destino e conferir as novidades.
A Wyndham Estate está entre os mais antigos produtores de vinho da Austrália. Foi ele quem plantou a primeira vinha comercial do país, em 1830. E sua propriedade em Hunter é uma beleza. Cercada por videiras e bem em frente ao Rio Hunter, tem uma porta de adega de dar inveja, bem arejada e ampla, com um restaurante e um museu da vinícola em anexo. Próximo ao rio, uma churrasqueira perfeita, pronta pra quem quiser assar uma carne e beber um vinho cercado de videiras. Coisa de filme!
A recepção, logo no domingo de manhã, foi simpática e energética como de costume. É bom chegar cedo. E o frescor da manhã nos impeliu à árdua labuta. A Wyndham divide seus vinhos nas linhas Bin (a de frente, média de AUS$16), George Wyndham (os diferenciados, por volta de AUS$21,50) e Black Cluster (o gold plus premium deles, a AUS$65).
Estavam à disposição para degustação, no time dos brancos: Bin 222 Chardonnay; 2010 George Wyndham Semillon Sauvignon Blanc; 2009 George Wyndham Pathway Chardonnay; 2004 Show Reserve Hunter Semillon; 2007 Show Reserve Barossa Riesling; 2008 Show Reserve Adelaide Hills Chardonnay;
No time dos tintos: Bin 525 Shiraz Grenache; Bin 555 Shiraz; Bin 555 Sparkling Shiraz; 2005 George Wyndham Shiraz Grenache; 2007 George Wyndham Shiraz Tempranillo; 2007 George Wyndham Shiraz; 2009 George Wyndham Shiraz Cabernet; e Shirazes de vinhas especiais das regiões de Coonawarra, Hunter e McLaren Vale.
Além dos já relacionados, o 2007 Hunter Valley Black Cluster Shiraz e dois de sobremesa: o Liqueur Muscat e o fortificado Tawny.
Vou evitar comentários pormenorizados sobre cada um. Ao invés dos detalhes, vamos ao que interessa. A Wyndham Estate é um grande produtor. Na China, não por acaso, vende bem seu Bin 888, porque no país o 8 é o número do dinheiro e da sorte. Mas eu pularia a Bin e iria, logo de cara, na linha George Wyndham.
O Black Cluster... ahh, esse é uma prova de geometria descritiva, de tão complexo! Feito com frutas colhidas à mão de vinhas de 40 anos, nem adianta falar em corpo. Ali, a questão era de torque mesmo! Mas sendo um 2007, minha sensação foi a de que, mais uns aninhos, e ele estaria realmente no ponto. A patroa não gostou. Achou que faltou harmonia e educação pro vinho, que chega quebrando a vidraça pela clarabóia.
Fui embora um pouco confuso, mas com uma sensação boa, por ter conhecido o incompreendido Black Cluster e a Wyndham Estate, descobertas que há tão pouco tempo eram só links de internet.

General

Uma degustação de vinhos franceses.

No dia 25 do mês passado, fomos em bando para uma degustação especial no segundo andar do Restaurante Boteco 66. Eram só vinhos franceses, de 6 importadoras: Casa Flora, Mistral, Enoteca Fasano, Zahil, Taste-vin e Wine Brands. Em paralelo, rolava uma degusta de pães (do La bicyclette), queijos (da Fazenda Genève) e do azeite uruguaio Punta Lobos.

Começamos a preencher nossas taças com os brancos. De todos os que provei (e eu provei todos), o que eu achei mais interessante foi esse Sauvignon Blanc da Casa Flora, Chateau Reynon 2009. Diferente dos outros degustados, trazia uma mineralidade que lembrava os SBs neozelandeses. Muito bom. Segundo o Juares, o representante da Casa Flora no evento, esse vinho custa no mercado por volta de 58 Dilmas.

Partindo direto para os tintos, a curiosidade foi a presença de vinhos sem passagem por madeira em quase todas as mesas. Leves, frutados e frescos. Porém, alguns chegavam a custar 65 pratas, como o Chateau De Mauves, da Zahil. 


Ok, vamos aos destaques. A Enoteca Fasano trouxe esse Château Camplong 2008 que, por 65 pratas, me fez pensar em revisitá-lo em breve. O exemplar que provei pareceu-me redondinho e cheio de vontade de ser bebido.
E dentre todas as importadoras presentes, a que mais nos chamou à atenção foi a Taste-Vin, do simpático e divertido François. Esse sujeito não entrou na brincadeira pra perder. Trouxe só coisa boa na mochila. Recebeu-nos em sua mesa com a seguinte frase: "Bem, senhores, esse aqui é o meu vinho vagabundo." E serviu-nos o seu vinho de entrada, e sem madeira, Côtes du Ventoux Réserve 2008. Bem gostoso e frutadão. Por 32 Dilmas, acabou tornando-se minha primeira aquisição depois do evento.

Mas sua grande vedete era o bonitão aí da foto. O Chassagne Montrachet, Château de la Maltroye 2006. Um Pinot Noir da Borgonha, Premier Cru, com 15 meses de barrica. Uma belezura que já está um tiro, e que ainda vai evoluir na garrafa. Pode ficar guardado no calabouço até 2014, segundo o François. Infelizmente esse aí já não é pro meu dia a dia, pois hoje ele está saindo por R$240,00.
   
Depois da degustação, descemos e até tentamos uma mesa no Boteco 66, mas como estava cheio, andamos uma quadra e paramos na pizzaria Bráz.
Afinal de contas, já era tarde e precisávamos colocar alguma coisa no estômago que não fosse vinho francês.


      B                K                7                 2

Invadindo a Austrália - Parte 8: A moderna vinícola Tempus Two

 

Chegamos à Tempus Two em cima da hora de fechar, às 17h. A Tempus Two tem uma apresentação contemporânea que a diferencia de todas as outras em Hunter. Parece um pequeno shopping center moderno, ou uma boate no meio do nada. Ou no centro de tudo.
Ao lado da porta de adega, um restaurante japonês, um bar e uma loja de queijos, tudo no mesmo complexo. Que aliás, já abrigou em sua imensa área externa shows de Santana, INXS, Rod Stewart e Elton John, só pra citar alguns.
Quanto aos vinhos, a proposta da Tempus Two é interessante. Eles têm uma linha mais bacanuda, a “pewter” (estanho - entre AUS$30 e 35), e a linha “copper” (cobre – a AUS$25), na qual os enólogos têm a liberdade de fazer experiências com cortes e uvas diferentes daquelas típicas de Hunter. Até porque, os vinhedos da Tempus estão espalhados pelas maiores áreas produtoras da Austrália. E existe ainda uma linha de varietais.
Estavam disponíveis para degustação 5 brancos (um estanho e quatro cobres) e 4 tintos (um espumante, dois cobres e um estanho), além de dois de sobremesa. Devido à hora adiantada, novamente nos dividimos em dois: a turma dos brancos e a dos tintos.
Reforçando a turma dos tintos, provei um espumante Shiraz 2005, um Cabernet Merlot 2008, um Shiraz 2008 (o premium, de Barossa, a AUS$35) e um "GSM" 2009.
Me chamou a atenção esse GSM 2009. Um corte simplesmente delicioso de 50% Grenache, 35% Shiraz e 15% Mourvedre! E aí, as ousadias da Tempus Two me convenceram. Tratava-se de um vinho encorpado, com frutas vermelhas e outras nuances agradáveis de chocolate, talvez café. Taninos finos, álcool nos 14%, que pra ele estava bem correto. Ou talvez não, porque evapora rápido demais!
Levei duas garrafas. E quando a primeira foi-se, pensei: “duas foi pouco”.

General

Mais vinhos nos mercados da China

Vamos agora aos vinhos chineses do Carrefour. Tem uma coisa nessa sessão que sempre me dá calafrios: os vinhos muito baratos com uma plaquinha "compre um, leve dois". Todos os preços das fotos estão, obviamente, em yuans. Para ter uma ideia do valor em dilmas, divida por 4.
Achei o Greatwall 3 estrelas, já “desgostado” aqui. Notem que o preço, que antes era de, aproximadamente, 50 yuans (umas 12,50 dilmas), agora está em incríveis 80 yuans! É este o vinho servido pela Air China a seus passageiros! Desde que a tripulação não o beba, tudo bem!
Outro visto por essas bandas foi o Greatwall Cabernet Sauvignon 2006, a 308 yuans. Também “desgostado” aqui em grande estilo, direto da Grande Muralha. Na prateleira acima, um Shiraz de 780 yuans! Umas 200 dilmas! Esses são vinhos de grande guarda, porque ninguém em perfeito juízo vai tirá-los do seu descanso eterno por esse preço.
Agora, o que todos esperavam: o mercadinho local. Aí, meus amigos, é vale-tudo. Um ou outro gringo a preços extorsivos na prateleira cercados por vinhos locais caríssimos em embalagens super luxo, Great Wall e Changyus de calibres diferentes e os temidos "compre um, leve dois" - promoção boa só para o preparo de coquetéis Molotov.
Na sessão de vinhos do supermercado local, que carinhosamente apelidei de "arena da morte", o fermentado de uva não tem vez. Quem manda são os baijiu (lê-se "bái jiou" - literalmente "bebida alcoólica branca"), aguardentes tradicionais chinesas feitas de cereais. A mais popular é o Erguotou. Tem desde os "leves", com 56% de álcool, até os de 70%, muito apreciados por impressoras. Reparem nos preços e não esqueçam de dividi-los por 4. Numa prateleira separada estão as bebidas nobres tradicionais, com preços caprichados. Entre elas, os respeitados e caros Moutai.
Para encerrar o texto, uma propaganda fotografada da revista de bordo de uma companhia aérea chinesa do Château Bolongbao 2005, onde logo abaixo lê-se "Mis en bouteille au château dans le village de Bashimudi, région de Fangshan, Pékin". NÃO É MONTAGEM!
Na guerra contra a ameaça dos vinhos ruins, temos poucas chances. Mas enquanto houver superpotências enchendo o mundo com vinhos de destruição em massa, não desistiremos de lutar pela paz, pela liberdade de escolha, de expressão e, às vezes, de contrabando.

É um mundo cruel, esse em que vivemos.

General

Comprando vinhos no Supermercado. Na China!!!

Estava devendo esse texto há muito tempo, mas não queria fazê-lo de qualquer maneira. Por isso, uma pausa nos posts da Austrália para oferecer a vocês um panorama básico das “enoescolhas” em 3 supermercados de Pequim com perfis completamente diferentes um do outro: um BHG (Beijing Hualian Group), supermercado chinês com poucas lojas, voltado pra artigos de luxo em áreas de luxo (o visitado fica no Village, em Sanlitun, bem no coração da área gringa); um Carrefour duma área afastada do centro; e um Huapu, supermercado pequeno de periferia, integrante de uma cadeia de 20 estabelecimentos. A ideia é traçar uma amostragem do chinês médio.
Vamos começar pelo BHG, o mais luxuoso e caro. Esse fica numa praça de compras. Não dá nem para chamar de "shopping center", porque só o conceito já é bem melhor. São uns prédios baixos numa área aberta, com chafarizes no chão onde a criançada brinca nas tardes quentes de Pequim. Glamour puro.
 
Já no caminho, uma livraria bem pequena expunha, na vitrine, dois livros sobre vinhos: Wine Essentials e The World Top 100 Great and Rare Wines. Notem que a capa em inglês não aponta para uma edição bilíngue. O conteúdo é 100% em mandarim. Muitos títulos são assim mesmo. Moda, só pode.
No BHG as ofertas são: uns Chateau isso e aquilo, uns Bordeaux e uma seleção bem pequena dos velhos chilenos. Acho que já comentei aqui que vinho francês na China é sinônimo de vinho bom. São também os mais falsificados. Por conta disso, sempre os evito. Não achei nenhum conhecido e/ou confiável. Talvez vocês possam me ajudar vendo as imagens, todas tiradas do meu celular, num esquema quase discreto.

No time dos sul-americanos, uns Frontera, Santa Álvara, Sunrise, Santa Carolina, Caliterra, Alamos e uns poucos Casilleros com o agiozinho do frete. Conseguimos achar um Uxmal 2009, já analisado pelo nosso amigo Leigo Vinho! Continuo procurando outros. A parte de vinhos aqui se resume a duas gôndolas cilíndricas e uma prateleira curta.
No Carrefour da periferia, onde moram poucos estrangeiros, a situação aperta um pouco: uma prateleira bem larga, mas com uma sessão muito curtinha pros vinhos importados. A isso se limita meu dia-a-dia, amigos. Na foto, essa área está entre a placa verde e o metro seguinte. Dali para trás, só vinhos chineses. Mas vamos a eles depois.

Quando chego, vejo a atendente indicar o francês Fortant prum rapaz chinês bem intencionado (porque não estava na prateleira dos vinhos locais), porém desavisado - acabou levando o danado! Os franceses são complicados. Imagino quantos vinhos mais ou menos (em qualidade) estou deixando de beber por implicância. Arriscamos algumas vezes e não deu certo.
Dá pra ver uns "ostralhanos" básicos: Jacob's Creek, Yellow Tail, Penfold's e Wolf Blass - todos os mais básicos entre os grandes produtores da Austrália. Ainda tem o Obikwa, da África do Sul e, entre os chilenos, o Santa Álvara e o 120. Esse último, numa promoção, quem comprar 4 ganha o quinto. 

 
Tenho certeza de que, quando postei sobre os Jacob's Creek e Windham Estate basicões achados no free shop chinês, muita gente riu de mim! Também, olhem a situação em que me encontro!
.
.
.
CONTINUA AMANHÃ

General

Invadindo a Austrália - Parte 7: A premiada Brokenwood

Antes mesmo de chegar na Brokenwood, já estávamos impressionados: havia sido premiada como uma das melhores vinícolas de 2011 pelo respeitado James Halliday em seu Wine Companion.
O critério usado é "excelência com consistência": a vinícolas consistentemente fora-de-série são as primeiras. Em seguida, vêm aquelas que se destacaram pelo menos nos últimos três anos. E por fim, as que estiveram perto do topo nesse período.
Além disso, um enólogo da Brokenwood havia sido o "enólogo de 2010" pela Hunter Valley Legends and Wine Industry Award. E a própria Brokenwood foi escolhida como a "porta de adega do ano". Não faltavam boas referências! A localização central e o funcionamento até mais tarde (umas 19h - quando o normal é fechar às 17h) são outros atrativos aos visitantes com disposição pruma bela hora extra.
A recepção é calorosa e o ambiente, muito familiar, como em todo Hunter. Prova disso é o bebê com os pais na foto. Mesmo sendo fim do dia, o staff nos recebeu como se estivesse abrindo naquela hora. Muito amáveis e com enorme vontade em servir, eles explicaram os diferenciais de seus vinhos e interagiram com os turistas.
Na Brokenwood, provamos, nos brancos, o Semillon 2008 e 2010, o Pinot Gris 2010, um Chardonnay sem madeira de 2008 e um Chard 2009. Todos entre AUS$19 e 25. Ainda tinham vinhos de vinhas especiais (que pulamos, pra evitar desgastes trabalhistas): os Semillons da Army Block (2010) e da Belford Block 8 (2006), um Viognier (2008) e um Chardonnay (2010) da Indigo. Esses entre AUS$25 e 40.
Nos tintos, o Pinot Noir 2008, um Sangiovese 2008 e um Shiraz 2008 (mistura de uvas vindas de McLaren Vale e Beechworth), o Cricket Pitch 2009 (corte de Cabernet, Merlot e Shiraz) e um Cabernet Sauvignon/Merlot 2009. Entre AUS$18 e 40.
Os tintos de vinhas especiais variavam entre AUS$35 e 65. Eram um Pinot Noir e quatro Shirazes. A maioria desses não estava disponível para degustação - então não provamos. E olha que ainda havia outras opções, três em garrafas magnum e dois de sobremesa.
Aqui nos dividimos entre brancos e tintos, já que um só dia seria pouco pra tanto vinho. Que, diga-se de passagem, eram realmente muito bons! Depois de criteriosa escolha, levamos o Shiraz 2008, que era realmente um belo exemplar do típico Shiraz australiano; o Pinot Noir 2008, que me lembrou imediatamente do BK, já que ele curte essa variedade; e a surpresa da noite, o Sangiovese 2008. Depois do Gregorina, a Sangiovese passou a me chamar a atenção. E esse estava quase lá. Faltava a complexidade, a maturidade do italiano, mas que não desqualificava o primo aussie. Vinho muito fácil de beber, é do time dos extremamente "voláteis". Os três vinhos custaram AUS$30 cada. 
Quem visita Hunter não pode deixar de visitar a Brokenwood. Na próxima vez, vou levar os vinhos de vinhedos especiais. Deixamos esses pra depois, mas não dá pra dizer que foi procrastinação!

General

Invadindo a Austrália - Parte 6: Pernoite no Hunter Valley e mais vinhos da Tamburlaine


Na mesma noite em que visitamos a Tamburlaine, não havíamos tido tempo pra pensar, em meio à dureza da labuta, num hotel pra passar a noite, nem num restaurante com preços razoáveis pro jantar.
Mas aí, demos uma sorte: o Sr Kononenko achou, através de seu fiel iPhone, uma estadia que parecia interessante: Leisure Inn Pokolbin Hill. São uns chalés que tem banheiro grande com banheira, uma cozinha bem equipada, uma sala grande e uma localização imbatível, bem no meio de tudo. Diária em AUS$150, que parece um pouco salgado, mas é um excelente custo benefício considerando as opções. Com um bom sofá-cama na sala, os chalés são grandes o suficiente pra uma família com filhos.
Deixamos o restaurante pra lá, fomos a um supermercado numa localidade próxima e compramos uma variedade de produtos pruma ceia leve à base de vinhos: uns 4 tipos diferentes de queijos, camarões, tomates secos, azeitonas, pães variados - o que tinha azeitonas estava excelente - uvas e outras frutas e mais um monte de coisa pro café da manhã.
Acompanhou-nos dois Tamburlaines: o Orange Chardonnay 2005 e mais tarde o Orange Shiraz 2009. O branco tinha uma cor bonita, um amarelado vivo, frutas e acidez na medida certa. Nos seus seis anos, um vinho maduro, leve e gostoso.
O Shiraz entrou de carrinho no joelho: frutas vermelhas maduras, especiarias, 15,3% de álcool debaixo do capô, tudo em equilíbrio, e ainda melhor do que parecia na degustação. E reafirmou as boas escolhas feitas pelo trabalho criterioso na vinícola. São vinhos feitos com um cuidado que aparece nitidamente na qualidade final. Não é à toa que é o maior produtor orgânico certificado da Austrália.

Esse Orange Shiraz 2009 só não deixou saudade porque o Sr Kononenko ainda tinha sua caixa com seis Tamburlaines intacta - o que, é claro, não seria por muito tempo.

General

Invadindo a Austrália - Parte 5: A Tamburlaine e seus vinhos orgânicos

A vinícola Tamburlaine não tem uma vista privilegiada do Hunter Valley, mas tem um diferencial importante: é uma das poucas vinícolas a produzir vinhos 100% orgânicos na região. E essa vantagem é repetida e demonstrada em vários momentos da visita, da porta da adega ao website, estendendo-se ao selo de produto australiano orgânico no rótulo, e ao empenho na explicação dos processos pelo incansável Glenn Myers. Na parede, uma relação de países para os quais os Tamburlaine são exportados excluía o Brasil.
Estavam à disposição para degustação 4 brancos, 5 tintos e 3 de sobremesa. Respiramos firme e fomos ao trabalho (novamente, pulei os de sobremesa). Nos brancos, um Verdelho 2009 de Hunter, um Riesling 2005 de Orange e dois Chardonnays de Orange, sendo um 2009 e outro 2005. Orange é uma cidade pequena mais para o interior, com clima mais frio, maior altitude (uns 860m) e terroir diferente do de Hunter.
Nos tintos, um Malbec, um Cabernet Sauvignon e um Merlot de Orange, um Shiraz de Hunter e outro de Orange. Aí, olha que interessante. A mesma uva, tratada pelo mesmo fabricante, só que em terrenos diferentes, resultaram em vinhos completamente distintos. Essa experiência foi um dos pontos altos da visita à Tamburlaine. O Shiraz de Hunter era mais terroso, com mais tabaco. O de Orange, mais equilibrado, redondo. Apesar de ambos os vinhos serem gostosos, as diferenças eram grandes e deixavam a escolha ao gosto do freguês, porque os vinhos da Tamburlaine são muito maduros e bem feitos.
E se o freguês quiser, paga uma pequena quantia pra deixar o vinho envelhecendo! Achei a ideia incrível! É como um investimento de longo prazo em renda variável com uma projeção muito positiva de risco/retorno e zero de imposto de renda!
Levamos da Tamburlaine um Chardonnay 2005, o Shiraz de Orange e um azeite extra virgem "Robust Premium" da Pukara Estate, produtor de Hunter que oferece uma degustação gratuita de seus produtos na Tamburlaine.
No final, duas surpresas agradáveis: o Sr. Kononenko, tendo mencionado que era membro do clube Tamburlaine, e que havia feito e pago um pedido que não chegou, teve o cadastro verificado e recebeu imediatamente sua caixa com seis vinhos.
Da minha parte, fiquei feliz por pagar AUS$29 no Chard 2005 (quase 50 dilmas - preço de sócio, já que o normal é AUS$35) e AUS$32 no Shiraz, cujo preço normal era AUS$44 (75 dilmas). Já saindo da vinícola, ao checar a nota e ver que haviam cobrado no Shiraz AUS$32 ao invés de AUS$39 (preço de sócio - o Sr Kononenko), voltei para avisar que o desconto dado havia sido superior ao justo. O Sr. Myers disse que provavelmente o cadastro não estava atualizado, mas que não tinha problema. Minha consciência estava tão limpa quanto minha garganta, seca.

Mas isso estava para ser resolvido.

General

Invadindo a Austrália - Parte 4: Fish Market e as primeiras garrafas tombadas


Conforme dito no post anterior, hoje vou mostrar de forma sucinta o uso em situações reais das garrafas adquiridas na Audrey Wilkinson.
 
A primeira a tombar foi a Winemakers Selection 2009 Merlot Cabernet. Havíamos voltado de Hunter e o cardápio era um ravióli de carne e molho leve. O Merlot saiu das vinhas de McLaren Vale (região produtora que fica a 35km de Adelaide) e o Cabernet, de vinhas da Audrey Wilkinson de mais de 40 anos de Hunter mesmo. Então, tínhamos ali frutas vermelhas escuras, chocolate, taninos finos e alguma madeira - vinda de 15 meses de barricas novas de carvalho francês. Vinho honesto por AUS$22.
A segunda foi guardada para uma visita ao Sydney Fish Market. É um pequeno complexo aberto pelo governo em 1945, que é particular desde 1994. Fica em Pyrmont, a 2km do centro da cidade.

Com muitas lojas, todas arrumadas, limpas e organizadas, parece um shopping center de frutos do mar. E algumas delas tem uma cozinha à parte pro visitante provar ali mesmo o produto que vai levar mais tarde. A variedade tanto de produtos quanto de pratos à disposição é grande o suficiente pra deixar o turista incauto cheio de dúvidas. São camarões de todos os tipos e tamanhos, caranguejos vindos de toda parte, inclusive o caro King Crab, uma grande variedade de ostras, peixes frescos de espécies e tamanhos diferentes, lagostas e lagostins, polvos e lulas, salmão e atum já cortados em postas, filés ou sashimi, e frutos menos comuns no Brasil, como o abalone.
A melhor opção é escolher um prato e pensar no que levar enquanto saboreia um produto muito fresco e um bom vinho trazido de casa. Aqui, é o que eles chamam pela sigla "BYO" (Bring Your Own).

Terminei minha lagosta recheada com queijo gratinado e salada a tempo de acompanhar a degustação de 3 tipos de ostras que meus amigos improvisaram. Nessa situação, o 2009 Winemakers Selection Semillon caiu como uma luva. Muito claro, muito leve e cítrico, casou perfeitamente com as ostras. Esse custou AUS$20. 
 
O Sydney Fish Market é um programa que não pode faltar no roteiro de turistas, nem dos locais que curtem frutos do mar. Traga sua garrafa de casa e vá embora um pouquinho mais otimista. 

Foi assim que saímos.


General